Nos meus olhos sombrios mora uma sombra. É a peste que me come. É o rato que degusta porcamente minhas entranhas. Eu me morte. Se os homens, se a morte, se os dedos parcos coubessem no sapato de cristal. Ó. No meio da noite vil eu me sucinto. Largado no sofá de penas eu, espirro. A noite come minhas porcas penas de pássaro franzino. Sou um menino pequeno que mama nos peitos da mãe. Sou homem forte da floresta que arranca com os dentes os pedaços do estômago que ainda não caíram. A sala está cheia de restos pequenos da refeição dos cães. Os olhos azuis já baços de tanto choro doído. — M. tire-me daqui!, leve-me para onde o oceano é maior. Leve-me para as ondas dos porcos-espinhos do mar. — M., porquê se não sair daqui só Deus sabe o quê. ; cada fétido canto do apartamento cheira a desordem. Meus olhos mal acostumam-se com a luz fria do corredor. É inverno, é inverno na cidade que não dorme, não dorme, não dorme. Na sala de estar os convidados deixam, um a um, seus pedaços carcomidos pelo tempo que vai embora. É de noite e as preces não se elevam muito.