Ai, eu queria muito que esse momento chegasse. Um momento em que eu pudesse reconhecer em choque meus queridos sentimentos. Alguém me estuprou, e foi a vida. Foi de uma violência tão grande. Eu fiquei fora de mim. Eu fiquei fora de mim. Ausente por muito tempo, esperando a possibilidade de voltar a me habitar. E aqui estou eu, habitavel, possível.
Até agora eu me impressiono com a violência da onda. É enorme. E agora, tempo depois, eu posso voltar a sentir, a respirar. Eu respiro e isso é muito. Imagina, respiração, a onda vindo e indo; eu vivendo. Sem desespero, sem precisar fazer fazer fazer ou morrer.
Que cansaço. Que felicidade de tomar menos remédio. Quanto desespero. Que maldade. Que coisa horrível. Nossa!